Libido a 0. Face à chegada do porno ou à ditadura do grande O, alguns optam pela escassez do edredão. Mesmo se YouPorn e outros apóstolos da indecência querem persuadir-nos do contrário, o desejo às vezes decide mesmo fazer greve. Avaria ou abstinência? Segundo uma sondagem da Ipsus, publicada em Junho de 2004, 25% dos franceses interrogados e 15% dos homens declararam viver na castidade. Irra! E seja ela escolhida ou forçada, um terço dos inquiridos não pareceram queixar-se.

O fenómeno está à vista, comentado pela imprensa, dissecado pelos psicólogos. Crianças traumatizadas por pais lúbricos, adeptos do ‘venha-se a qualquer custo’, cada vez mais trintões pudicos mostram-se reticentes em relação ao ‘pinocar’. Evidentemente que não têm vontade de ter vontade.

Esta tendência, totalmente, contra corrente das sociedades supostamente liberais, foi designada pelo jornalista francês, Jean-François Tonnac, como a ‘revolução Asexual’. No sex last year, uma obra publicada em 2006 num mercado hexagonal e decididamente virginal, interessa-se igualmente pelo quotidiano ‘normal’ dos casais quase vestais. Cheirando o scoop, também o suplemento italiano de La Republica, ‘D’, acaba de consagrar a sua capa a estes adeptos do ‘no-sex’.

Na Internet, a anos-luz da obsessão urbana, os emissários da pureza abundam. Ornato dos ayatollahs da fornicação, o virtual asexuality.org apresenta-se como uma ‘rede para entreajuda e visibilidade assexual’ e propõe na sua versão francesa forúms aos seus posts instrutivos, por exemplo ‘um assexual pode vingar na vida?’ ou ‘ você que ama a queca…’

Esta casta de ‘não libidoístas’ – nome homologo em holandês – não são senão que os fieis discípulos da 'A-pride atitude, um movimento iniciado do outro lado do Atlântico por um adolescente na flor da idade, David Jay. O seu credo: ‘a asexualidade não é exclusiva dos anfíbios’, reivindiquemos orgulhosamente a nossa identidade de fantoches anti broches! Depois dos pénis superstar, eis que chegou o tempo da austeridade coital. A morte dos libertinos e outros criadores lascivos dá assim lugar às Madonas convictas, aos virgens voluntários, aos santos do erotismo! Com um toque de sat (&) rismo.